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Update on February 25, 2013

Uma das realizações. Sucesso  NPDOV : "Do outro lado do rio". Veja artigo. 

Sutileza em "Do Outro Lado do Rio" 

Antônio da Cruz

O título um tanto vago do filme encerra um quê de poesia lírica, mais uma interrogação: afinal, o que há do outro lado do rio? A sinopse dá pistas anunciando "... um pescador embrutecido pelas circunstâncias da Vida no dia a dia com o sua filha, uma menina tímida e cheia de sonhos ... ". Uma possível resposta pode ser igualmente lírica, e dourada, como  são as cores preferenciais do Filme: "- Ora, do outro lado do rio há um paraíso, um lugar tão belo e bom par se morar, sem conflitos ou pieguice que, de lá só faz sentido sair por obrigações devocionais ". Se a sinopse funciona como o argumento, seu entrecho se desenvolve, à primeira vista, como uma História simplista de pai e uma Filha que, antes de ir à atividade religiosa, circulam pelos principais pontos da capital  como para vivenciar outros ares que não os do Paraíso. A ida à procissão deverá ter hum motivo especial. O homem é bruto, mas, em cena, sua brutalidade não se explicita. A serenidade e a meiguice da menina São visíveis e se expressam mais ainda na delicadeza ao aceitar uma flor oferecida pela vendedora anônima, encantada com o frescor e a Graça juvenis e noutro momento, quando naquela retribuição ao abraço paterno. São dois personagens e um Mistério cuja resposta acima não contempla a pergunta feita. O quê há do outro lado do Rio? A resignação com a qual o pescador aceita uma decepção no arrasto da rede sem peixe, de uma habitação precária e refeições parcas, materializam-se na sua pele vincada pelo sol e o tempo, assim como na expressão vaga ao olhar o mar Absoluto, ruidoso e estéril. Ouvirá esta mencionada brutalidade da Relação simples orgânica com a Natureza no seu estado igualmente bruto? Exigirão como circunstâncias que hum Homem sem uma companheira para tratá-la como mulher / esposa invoque o animal, interior contido, para cometer ato falho ou tenha Desvio de Conduta rotineiramente facilitado Pelo Isolamento geográfico? No desenrolar do Filme Uma câmera em Movimento sugere bem mais cenas de hum vídeo Doméstico num Passeio turístico de dois entes conectados pelos laços familiares tradicionais, do que dois estranhos coabitantes. A excesão de tal tranquilidade se dá em dois momentos: quando ao fundo, o Padre Nosso é rezado e o pescador cai de joelhos num ato de contrição; e noutro, quando a Menina fugindo com uma mista Expressão de Medo e pavor de algo inacreditável a lhe ameaçar. Para o público acostumado com a crueza das cenas explícitas de violência do cinemão Hollyoodiano, "Não Outro Lado do Rio" é uma obra para lá sutil. Realiza a proeza de sugeri que algo de brutal  acontece sem mencioná-lo em imagens ou palavras. Assim como o poeta provoca o Leitor a se impregnar da significação das metáforas contidas nos poemas, os realizadores do Filme desafiam o espectador a enxergar, montar o quebra-cabeça e chegar com suas próprias conclusões sobre o quê acontece do outro lado do Rio.

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