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Um estado colonial por causa da sua função extrativa, não consegue transformar seu crescimento em progresso

Moradores que vivem em torno do Rio Xingu e na cidade de Altamira (PA) continuam apreensivos. O motivo é a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Apesar das constantes manifestações contra o projeto, o governo não dá sinais de recuo sobre a concretização de um dos maiores planos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
A obra deve ir a leilão neste ano, mas para isso, é preciso que o Ibama (Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) conceda uma licença ambiental, liberando a obra. Caso isso aconteça, serão grandes os prejuízos socioambientais conforme explica o bispo do Xingu, Dom Erwin Kräutler.
“Pouco se fala sobre a situação do povo aqui. Altamira está beirando a cifra de 100 mil habitantes. Ora, um terço da cidade de Altamira vai para o fundo [do lago da hidrelétrica]. A pergunta que nós fizemos para o setor energético do governo até hoje não foi respondida: onde vão colocar essas 30 mil pessoas? Até agora, temos promessas não detalhadas, promessas que não sabemos como, quando e aonde irão se concretizar.”
Estudos prevêem ainda que áreas ribeirinhas e indígenas – inclusive áreas já demarcadas – serão inundadas pelas águas da hidrelétrica. Segundo o bispo, as populações dos municípios Senador José Porfírio, Porto de Móis e Vitória do Xingu, mesmo sendo prejudicadas pela obra, ainda não tiveram audiências públicas.

1. Contra Hidrelétrica de Belo Monte