Back to Não ao desaparecimento do Teatro Sá da Bandeira (Porto)!

Onde é que eu já vi este filme?

Afirmou-se por aí que, em virtude de não terem chegado a acordo os seus diferentes proprietários (…) o Teatro Príncipe Real [Sá da Bandeira] ia ser destruído (…), uma das mais confortáveis [salas], a mais central e, sem dúvida a mais popular desta cidade. Assim, como de um proprietário indolente e mau administrador se diz que dissipa e liquida assim do povo português, nomeadamente do portuense, se pode dizer que liquida em manifestações de Arte.
O teatro, a grande instituição dos povos livres, essa criação resultante da existência de uma vida pública (…) possui a forma literária mais intimamente ligada ao desenvolvimento da sociedade civil. Assistir impassível à destruição das casas de teatro é consentir licitamente na liquidação da sociedade.
De longa data vem o Porto presenciando, com uma letargia de indiferença irritante, o arrasamento das suas casas de espectáculo. (…) Pois assim tem andado o teatro, muitas vezes por mãos de mercenários e aventureiros e inconscientes (…). A apatia social reflectida directa e imediatamente no teatro, destrói a manifestação da nossa vitalidade, a legítima expressão da nossa existência. Com justiça podemos ser consideramos ociosos indolentes, candidatos ferrenhos ao aniquilamento de uma raça de heróis.

Extraído de "O Teatro Português", escrito a 29 de Abril de 1905

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