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Uma frase, no filme argentino "El Café de Los Maestros", chama a atenção: "Se alguém não pode fazer um bom silêncio, (também) não pode compor um bom tango". Não vi o filme, portanto não sei se esta fala leva a maiores desdobramentos em sua trama. Mas percebi que não preciso assistir a este filme para pensar em dezenas de significados para "silêncio". Um deles é que, em se tratando de algo que esperamos ansiosamente, o silêncio pode ser ensurdecedor. 

Há exatos sete anos, cinco meses e vinte e oito dias, não basta o ruído de milhares de vozes, clamando por seus direitos para terminar com um silêncio asfixiante. O pouco que escapa são falas sobre acordos – algo que sempre me soou como uma traição – pois não foi para fazer "acordos depois" que assinei um contrato há trinta e um anos para pagar durante os vinte que realmente paguei e... receber nos que me sobrassem para viver. Hoje, "acordo", ainda que por menos do que se tem direito, parece ser a única tábua de salvação. Ainda assim, o rumoroso silêncio que baixou nesses últimos meses não nos dá uma mínima ideia da qualidade de um eventual acordo ou se ele de fato vai acontecer.  Parece que ao se negar a resolver o problema, os que estão por trás de tudo isso queiram reescrever a minha história e a de outros tantos que penam como eu. E aí o silêncio cúmplice poderia ser o meu, se ficasse de boca fechada (ou aberta olhando para o nada) e vendo a banda passar. 

Como muitos entre nós ainda fazem, infelizmente, nesses últimos tempos de notinhas assim... "reunião em Brasília"… "agora sai", "fulana disse pau, fulano disse pedra" e por aí vai. E por aqui... ficamos. Nunca se poderá reparar o suficiente o desastre que foi o tramado fim da Varig e o calote no Aerus. E nunca se saberá dos milhares de dramas vividos e sofridos por milhares de desempregados e aposentados, histórias que se perderão no tempo, apagadas pelo silêncio covarde dos que só veem a nós, idosos, como um estorvo, e também pelo mutismo dos que sofrem, pois já era hora de estar perguntando, cobrando, exigindo o que significam esses movimentos neste final de 2013. Falta de notícia é boa notícia? Não podemos criticar, dar às coisas o nome que elas têm por medo de represálias? Quem fez o mal e pode consertar, quem tem poder legal de impedir e de reparar, são seres esses tão sensíveis, tão delicados que se desestabilizam, se enraivecem e voltam a nos negar tudo ante a exposição de verdades? Essas verdades... 


O histórico do que passamos nos últimos sete anos e seis meses, as privações, as humilhações e, mesmo no limite, as perdas de vidas certamente de forma prematura pela conjunção sinistra de velhice/doenças/falta de recursos são as armas de que dispomos e as histórias que temos para contar. Pelo simples fato de serem verdades, assim como suas tristes causas também o são, se essas nossas armas ainda não venceram a batalha é porque neste país ultimamente tanto a verdade como o trabalho honesto são sufocados por silêncios infames e acabam não valendo grande coisa.

Portanto... Invertendo a ideia do filme argentino, se estão fazendo boas coisas neste fim de 2013, então o silêncio atual terá sido bom. Mas nós nada sabemos. O que sabemos é a nossa história, o que trabalhamos, o que pagamos, o que nos roubaram e a vida miserável que nos impuseram. O escritor americano Samuel Langhorne Clemens, conhecido pelo pseudônimo de Mark Twain, costumava dizer que quanto mais envelhecia, mais se recordava de coisas que não aconteceram. Se deixarmos de reclamar por nossos direitos podemos acabar tendo de viver uma vida que não planejamos. Se não contarmos a nossa história, outros contarão por nós o que lhes interessar. E se só há silêncio do lado de lá, não se justifica um outro do lado de cá. 


 Título e Texto: José Carlos Bolognese, 10-10-2013 

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