Pledge to Ato dos ex-trabalhadores da Varig

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A L'OSSERVATORE ROMANO (edição semanal em Português)

Senhor Editor, 

Neste mês de julho, Sua Santidade, o Papa Francisco, estará visitando o Brasil pela primeira vez, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, entre os dias 23 a 28. O Sumo Pontífice será recebido, como é de praxe, pelas autoridades constituídas que tudo farão para mostrar ao Papa uma nação forte e unida, sob a égide do cristianismo que permeia os corações e as mentes de seu povo. Não estarão omitindo a verdade nesse particular, mas esta será a "verdade conveniente" de que lançam mão para esconder do mundo – sem sucesso como se percebe nos últimos acontecimentos no país – que existe um outro Brasil, assolado pelas outras verdades da corrupção, da violência diária que ceifa milhares de vidas todos os anos, carente de uma saúde pública digna deste nome, com educação precária e profunda injustiça social que se disfarça em programas assistenciais, perpetuando a dependência de pessoas carentes, acima de tudo carentes da capacidade de julgamento crítico que as liberte da suposta generosidade do governo cujo objetivo é permanecer no poder a qualquer custo. Esse grupo político há mais de doze anos no poder é o mesmo que dá guarida a um terrorista italiano - julgado e condenado em seu país - flerta com ditadores, financiando-os com recursos indispensáveis ao povo brasileiro e só ainda não legalizou o aborto porque sabe que estaria comprando uma seríssima briga com a maioria cristã do povo deste país. Faz parte dessa triste realidade a situação de milhares de pessoas idosas, ex-trabalhadores e aposentados da empresa aérea Varig que, desesperados e morrendo aos poucos, recebem deste governo em forma de injustiça e humilhações o pagamento por terem cometido o crime de serem honestos trabalhadores. Há sete anos, neste mesmo mês de julho deram o tiro de misericórdia numa empresa que mais de uma vez, teve a honra de transportar de volta a Roma Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Esta era uma empresa que, como qualquer outra dedicada a servir ao país, empregava milhares de trabalhadores honestos, arrimos de família e, malgrado uma equivocada, ou mesmo intencional política econômica desastrosa, produzia riquezas para a nação na ordem de US$ 2,5 bilhões ao ano, o que em detrimento dos cidadãos brasileiros, acabou se tornando lucro de empresas estrangeiras. Essa irresponsabilidade sepultou as esperanças de milhares de trabalhadores e suas famílias e deixa aposentados já no limiar da existência, reféns da dependência de familiares e amigos, isto quando posível. Neste momento, um abnegado grupo de aposentados, a maioria na faixa dos 70 e tantos anos, outros até com mais de 80, ocupa há quatro dias os escritórios do que restou do seu fundo de previdência privada, que só existe porque foi financiado com o trabalho destes homens e mulheres durante pelo menos 24 anos. Unicuique suum, «a cada um o (que é) seu», um dos lemas do seu prestigioso L´Osservatore Romano, corresponde ao que desejam – e nada mais - esses trabalhadores e todos os outros milhares que os apoiam: Que lhes sejam devolvidos seus direitos a uma existência digna e cessem a brutalidade e a injustiça. 

Título e Texto: José Carlos Bolognese, Aposentado, Varig Airlines, 1º de julho de 2013


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